segunda-feira, 24 de outubro de 2011

DEUS PESA A MÃO ?



Quantas vezes já ouvimos expressões como esta?

Cuidado, tudo o que está acontecendo com você, pode ser a mão de Deus pesando !


Para o povo religioso, de um modo geral, Deus é um rei vingativo que está à espreita de algum erro de seus súditos para castigá-los cruelmente. Tal pensamento certamente se baseia em algumas passagens do Antigo Testamento, onde Deus aparece para o povo de Israel como "O Senhor dos Exércitos, O Vingador de Israel, O Poderoso nas Batalhas" ou outros títulos que O colocam numa eterna posição de guerreiro armado e pronto para entrar em ação contra o inimigo. Aliás, mesmo no Antigo Testamento, as mãos de Deus pesavam contra o inimigo. Contra Seu povo,  só pesava quando de contínuo ele se rebelava e não cedia aos apelos de arrependimento.

" Também foi contra eles a mão do Senhor, para os destruirdo meio do arraial até os haver consumido."
Deuteronômio 2. 15

No Novo Testamento, encontramos também a mão de Deus pesando sobre Elimas, uma espécie de feiticeiro que procurava dissuadir o procônsul Sérgio Paulo de crer no que Paulo e Barnabé lhe pregavam:

"Pois agora eis aí está sobre ti a mão do Senhor, e ficarás cego, não vendo o sol por algum tempo. No mesmo instante caiu sobre ele névoa e escuridade e, andando à roda procurava quem o guiasse pela mão."
Atos 13 .11

As poucas passagens bíblicas onde Deus "pesa a mão", entretanto, não são suficientes para O caracterizarmos como um Deus vingativo, iracundo e pronto a castigar Seus filhos. Pelo contrário, a abundância das referências, principalmente no Novo Testamento, em relação à paternidade de Deus, ao Seu amor, à Sua graça, à Sua misericórdia e ao Seu perdão mostra com grande evidência a oposição a esse pensamento tão distorcido da realidade que Ele significa para nós.

Um dos grandes temas de ensino de Jesus é a paternidade de Deus. A parábola do filho pródigo é o centro desse ensino. Nessa parábola, o filho exige seus direitos, abandona a casa e o pai, lança-se no mundo dos vícios e da prostituição, gasta tudo o que recebeu e acaba na miséria, faminto e apascentando porcos.
Nessa situação, lembra-se que poderia ao menos ser um empregado do pai. Arrepende-se do que fez, volta e é recebido de braços abertos e com toda honra pelo pai que o reconduz à sua situação primitiva com uma grande festa.
O pai é Deus, o filho é o homem, que pelo pecado e pela má administração de sua vida se distanciou e vive dissolutamente. O estado de miséria no qual o filho caiu após se rebelar contra o pai não lhe foi imputado por este, que o entendeu como conseqüência de seu ato desastroso.

O homem paga por aquilo que faz. Semeia o que planta.
Não se deve culpar a Deus pelas conseqüências funestas de atos mal pensados ou de uma vida dissoluta e desgraçada. O peso não é da mão de Deus, como muitos interpretam, mas do próprio fardo construído pelas mãos iníquas.
Todos os homens estão sujeitos às conseqüências do pecado nesta vida. Morte, velhice e doenças são suas conseqüências mais diretas. Alguns admitem que Deus castiga seus filhos com enfermidades ou problemas, citando Hebreus 12. 6-8:
"O Senhor corrige o que ama". É certo que o Senhor corrige, mas a Bíblia não diz que é com doenças ou com desgraças.
Corrigir neste versículo significa: "Disciplinar, instruir, treinar, ensinar, educar", como o pai ensina seu filho e o professor seu aluno.

Isaías, o profeta messiânico, diz que "a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar" (59,1). Isaías não disse que a mão do Senhor não estava encolhida para que não pudese "pesar".

Lucas, em Atos 11. 21, afirma que "a mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor". Estes, sim, mostram a verdadeira eficácia da "mão de Deus", em Sua preocupação em salvar e abençoar Seus filhos.
Interessante também é o fato de que muitos que cantam o hino "Segura na Mão de Deus" são os mesmos que afirmam que a mão de Deus pesa, castiga, etc. Como convergir estes dois extremos?

A "mão de Deus", na realidade, é o próprio Deus, e Ele, como Pai amoroso e compassivo, certamente não vive vigiando Seus filhos como se fosse um agente secreto pronto para apanhá-los em flagrante, com o propósito de puní-los por seus erros. Não devemos ver as mãos de Deus sobre nossos problemas, a não ser para resolvê-los ou nos dar as soluções.


Em Cristo


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5 comentários:

  1. Oi, Lucy!

    Creio que o equilibrio se dá na visão bíblica de Paulo: "Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado. Eles também, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; pois Deus é poderoso para os enxertar de novo. Pois, se foste cortado da que, por natureza, era oliveira brava e, contra a natureza, enxertado em boa oliveira, quanto mais não serão enxertados na sua própria oliveira aqueles que são ramos naturais!" (Rm 11: 22ss)

    Deus É! Pouco importa o que falemos ou achemos sobre Ele, certamente Deus não é nossos discursos e nem os nossos discursos poderão mudá-lo. Assim, penso que devemos considerar tanto a bondade como a severidade em equilibrio.

    Do contrário, poderemos cair no legalismo ou no liberalismo.

    Abraços sempre afetuosos.

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  2. Respondendo ao Casal 20.

    Interessante sua reflexão sobre a bondade e a severidade de Deus, que diz respeito a incredulidade do povo "escolhido"(judeus) e a bondade para nós gentios(oliveira brava); o que leva-nos a meditarmos na nossa condição de total dependência da Graça e da Misericórdia do nosso Senhor.

    Entretanto, o meu texto refere-se a outro assunto, que é a avaliação distorcida por alguns religiosos sobre a ação de Deus em relação a disciplina e correção dos seus servos. Pois, as conseqüências dos nossos maus atos, nos atinge, mas não anula a bondade e a misericórdia de um Deus que está pronto a perdoar, dando-nos uma nova chance para recomeçar.

    Sendo assim, a revelação do Deus da Antiga Aliança se expressa em SEVERIDADE com a rejeição dos judeus incrédulos e se expressa em AMOR, ao enviar Seu Único Filho para salvação de todo aquele que crê.

    Portanto, não somos mais corrigidos pela Lei, mas sim, por Jesus Cristo, que disse:
    Eu sou O caminho, e a Verdade, e a Vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
    João 14.6

    Em Cristo,

    ***Lucy***

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  3. É já ouvi muitas expressões vindas de cristãos que tal doença está na vida da pessoa por desobedecer a Deus ou falam que se tal pessoa continuar fora da igreja Deus vai pesar sua mão cada um com suas teorias. Eu não sei bem o que é certo nisso mas uma coisa sei que Deus é tardio em irar-se e ele conhece o porque de termos errado no caminho e sempre está pronto a nos perdoar e começar do zero. bjinhus querida
    http://oceuerosa.blogspot.com/

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  4. Oi querida obrigada por seu carinho eu linkei vc nos meus blog favoritos pra eu sempre vir aqui dar uma espiadinha hehe bjinhus fique na pz do Senhor
    Amora cherry

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  5. belo texto, parabens pelo tema abordado, pois
    nos dias de hoje ouço muito isto, de pessoas, que não tem o conhecimento da palavra, querendo convencer almas pelo medo, e não converte-las
    ao verdadeiro evangelho de Cristo que verdadeiramente lança fora todo medo, Certo que no mundo espiritual existem regras, estas que o proprio deus as cumpre, se não fosse assim o proprio jesus clamaria ao pai e ele enviaria legiões de anjos para o salvar do calvario, mas era preciso que aquilo acontecesse para se concretizar o plano da salvação. da mesma forma somos nós, colhemos aquilo na qual plantamos. se uma vida de obediencia, colhemos benção, se uma vida desrregrada colhemos o mal. Que deus te abençoe grandiosamente.

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